
Para se dedicar a este papel, o jovem suspendeu os estudos “por um ano” e, enquanto o curso de Economia fica na gaveta, vai-se afirmando no plateau na série juvenil da TVI.
Na ficção, a seta do cupido já o atingiu mas, na vida real, o filho de Tony Carreira deixa o amor nas mãos do destino, até porque garante saber “distinguir a diferença entre a realidade e a ficção”.
Agora que dá os primeiros passos como actor, David Carreira assume o prazer em representar, somando o talento a outros que já demonstrou, como o de modelo.
Desfila, faz catálogos, representa e, no outro dia, até cantou… Podemos dizer que é um rapaz dos sete ofícios?
(risos) Não sei… Gosto de fazer coisas diferentes, de fazer um bocado de tudo. Gosto de trabalhar por isso acabo por nem sequer me cansar.
E, agora, como é ficam os estudos?
Entrei na universidade mas, este ano, não vou estudar. Congelei a matrícula, porque ia ser difícil fazer cadeiras agora. Quero concentrar-me mesmo nos “Morangos” para fazer o trabalho bem e divertir-me.
Não tem receio de perder o ritmo e nunca mais voltar a estudar?
Não. Sei que quero continuar os estudos, que são importantes para mim. Portanto, é ponto assente que os vou retomar.
E quer investir mais na representação?
Bem, fiz o “workshop” para os “Morangos com açúcar” mas não estava a pensar entrar. Se me escolhessem, ainda iria decidir. Fui à aventura, por isso fiquei surpreendido quando soube que tinha sido escolhido. Mas, já durante a formação, comecei a gostar muito de representar e cantar, ganhando vontade de investir na representação.
A personagem dança, mas parece-me que é a parte em que o David se sente menos à vontade…
(sorriso maroto) Não, sou um grande bailarino… Se notou alguma coisa é porque naquele dia o “Lourenço” estava cansado, essa é sempre a desculpa. Essa foi parte mais difícil, mas tenho lá o Cifrão e a Noa que me dão dicas e me ajudam bastante.
Apesar desse não ser o ponto forte, o “Lourenço” partilha alguma das suas paixões, como o futebol, por exemplo. Agradou-lhe a coincidência?
Sim, porque nunca deram tanto protagonismo ao futebol. Adorando futebol e ter que representar uma personagem que joga futebol foi incrível. Estou a gostar muito.
Além de correr atrás da bola, o “Lourenço” também passa a vida a correr atrás da “Marta”.
Como encara as cenas de maior intimidade?
É engraçado, mas a Gabriela (Barros) – que interpreta “Marta” – tem mais experiência do que eu e ajuda-me imenso. Dou-me muito bem com ela e sabemos distinguir a diferença entre a realidade e a ficção, o que acaba por facilitar. Interpretar as cenas como “Lourenço” e “Marta” não quer dizer que haja qualquer tipo de interesse entre o David e a Gabriela.
Mas algumas relações na vida real começaram assim, precisamente nos “Morangos”… Também pode ser “traído” pelo coração?
Não sei… Se tiver que acontecer…
E há diferenças entre um beijo técnico e um beijo real?
Acho que a única diferença é o sentimento, porque um beijo acaba por ser um beijo como qualquer outro. Só que é preciso distinguir também a realidade da ficção.
Tem alguma técnica especial para decorar os textos?
Quando chego das gravações, leio sempre os textos. Vou revendo o percurso da personagem para nunca perder a noção do que fiz antes e do que vou fazer. Ou seja, procuro contextualizar sempre a personagem. É aquilo que se chama de “raccord” emocional.
Costuma passar os textos em casa? Com quem?
Estudo sempre em casa… Quando tenho alguém com paciência para me ajudar, partilho os textos (risos). Mas, na maioria das vezes, faço-o sozinho. Acaba por ser um bom exercício de concentração.
Quem são os seus principais companheiros de plateau?
Na série, partilho o plateau, sobretudo com a Gabriela, a Cátia Tavares e o Ricardo Duarte.
Na rua, é abordado por causa do personagem?
Sim. Confesso que não tenho saído muito, porque o ritmo das gravações também é intenso. Mas já tive abordagens do tipo “devias ter beijado a Marta” ou “a Andreia é má”.
Depois deste papel, o que se pode esperar?
Não sei, creio que é uma pergunta que só encontra resposta com o tempo.
Quais são as suas principais ambições?
Este é o meu primeiro papel e, por si só, já é uma aventura! Quero sobretudo evoluir como actor e poder desfrutar desta nova faceta.
Em casa, assistem à série em família?
Estou a trabalhar quando passa na televisão… Mas, quando lá em casa, a família grava, vejo. Acho importante ter esse retorno também.
Os seus amigos não se queixam do seu ritmo actual?
Estávamos habituados a estar juntos todos os dias e, de repente, só tenho os sábados ou os domingos livres. Esta gestão, às vezes, não é fácil de fazer. Mas o importante é que, quando posso, aproveito bem o tempo para estarmos juntos.