
Terminadas as gravações da telenovela da SIC ‘Perfeito Coração’, Ana Guiomar está a gozar um período de férias. A seguir, a actriz gostava de fazer teatro
Estreou-se aos 14 anos na série ‘Morangos com Açúcar’, mas garante que não perdeu pitada da adolescência. Para sair à noite, Ana Guiomar recorda que eram os colegas mais velhos, como Cláudia Vieira, quem pedia autorização aos seus pais.
- Começou com 14 anos, em ‘Morangos com Açúcar’. Agora, com 21, consegue ver a sua evolução?
- Penso que se nota o crescimento, não sei é se foi muito ou pouco. Depois, acaba por ser engraçado, porque as pessoas, quando me abordam na rua, julgam sempre que eu sou mais velha. Dão-me 24 ou 25 anos, e quando digo que só tenho 21 anos justificam: ‘Como já estou habituada a vê-la há tanto tempo na televisão, penso que já é mais velha’.
- Reage bem às abordagens do público?
- Claro que sim. Não me incomoda nada que venham falar comigo, até porque o fazem sempre de uma maneira simpática. Não sou nada daquelas pessoas que dizem ‘ai, agora não posso ir ao shop-ping porque as pessoas vêm ter comigo’. Nem pensar… Até porque não sou mediática a esse ponto.
- Tem saudades dos tempos de ‘Morangos com Açúcar’?
- Já foi quase há cinco anos, e claro que tenho saudades, mas não ao ponto de pensar que aquilo é que eram bons tempos. Vivo o presente, e penso que se voltasse a fazer uma novela desse género nada iria ser como antes, porque foi a minha primeira vez. Divertimo-nos muito, o nosso grupo era espectacular, crescemos juntos. E todos os meus amigos de hoje são dos ‘Morangos’.
- Era muito nova. O que lhe disseram os seus pais quando, aos 14 anos, decidiu tentar a sorte como actriz?
- O meu pai só me pediu que eu não deixasse de ter boas notas e a minha mãe disse que se era aquilo que eu queria que tentasse aproveitar a oportunidade.
- Foi então viver sozinha para Lisboa?
- Não, eu fiz os ‘Morangos’ todos a viver em casa da minha mãe, em Torres Vedras, e só fui morar sozinha quando fiz 18 anos, quando comecei a fazer a peça ‘Confissões de Adolescente’, em que tinha ensaios à noite e era mais complicado. Nos ‘Morangos’, os meus pais iam-me levar e buscar às gravações.
- Sentiu muito a falta da família?
- Claro que senti a falta da minha avó, que vive connosco, do meu avô, dos cães, mas os meus pais sempre me acompanharam bastante e quando podiam iam visitar-me. E eu faço o mesmo: todas as semanas tenho de ir a casa dos meus pais. Faz parte da rotina, não há volta a dar-lhe.
- Na adolescência, deu muitas preocupações à sua família?
- Julgo que não, até porque entrei nos ‘Morangos’ com 14 anos e saí com 17, por isso a minha adolescência foi passada lá. Como tínhamos uma produção fantástica e colegas bem mais velhos como a Cláudia Vieira, a Rita Pereira ou o Pedro Teixeira, eu acho que eles nos acompanharam muito bem. Eu era a menina, a mais pequenina, protegiam-me imenso, e quando era para sair à noite até falavam com os meus pais, para eles não se preocuparem. Foi muito giro.
- Sente que perdeu alguma coisa?
- Sinto que até ganhei. Fiz tudo o que iria fazer cá fora, mesmo estando a trabalhar na novela.
- O que é que comprou com o primeiro ordenado de ‘Morangos’, aos 14 anos?
- Uma cabina de hidromassagem, que ainda hoje tenho (risos). Foi bom ter o meu dinheirinho cedo, porque mesmo que não precisasse é bom olhar para a conta bancária mais tarde.
- Acabou por deixar os estudos…
- Falta-me acabar algumas disciplinas do 12º ano mas quero entrar para a faculdade para o ano que vem. Ainda não sei é para que curso. Gosto muito de Direito mas é muito complicado de conciliar. Acima de tudo, não quero entrar para a faculdade para dizer que tenho um curso mas porque penso que é importante para uma pessoa ‘reciclar-se’. Gosto de Ciências Políticas, de Filosofia, por isso logo se vê.
- Nunca pensou ir estudar para fora?
- Não é uma coisa em que pense muito. Para a minha formação pessoal ia ser muito bom mas julgo que ainda não estou no patamar em que me possa ausentar um ou dois anos do País pois, se calhar, ia perder cá trabalhos que gostava de fazer. E mesmo que fosse para fora, preferia ir para o Brasil, que julgo que está muito mais direccionado para o nosso mercado.
- Gostava de tentar uma carreira internacional, como está a acontecer agora com a Daniela Ruah?
- Penso que todos os actores gostavam. O caso da Daniela Ruah é muito específico, porque ela tem dupla nacionalidade e fala maravilhosamente bem inglês e eu não sou assim. Claro que era muito bom conseguir uma carreira internacional mas não sei se é viável. Mas, para mim, ela ter conseguido lá chegar é muito bom. Já a vi, está maravilhosa, e tenho muito orgulho de ela nos estar a representar desta maneira.
- Sente que há muita rivalidade no meio artístico?
- Nunca senti, mas também porque ainda sou muito miúda em relação à maior parte dos actores. Entre os outros actores, acho que deve haver, como em todas as profissões. Eu nunca senti nem dou muito espaço para isso, cada um faz o seu trabalho o melhor que pode. E não devia haver rivalidades, porque há personagens que têm perfis tão diferentes que nem sequer se pode comparar actores.
- Namora desde os tempos de ‘Morangos’ com a mesma pessoa [Diogo Valsassina]. Qual é o segredo para a relação persistir?
- Não há nenhum segredo especial, e talvez o único seja darmo-nos bem, divertirmo-nos juntos e respeitarmo-nos.
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