Criado numa casa de artistas, o Valentim de Meu Amor já sabia das inquietudes da carreira que abraçou quase por acidente. Agora só quer melhorar
Quando começou nos Morangos com Açúcar sonhava com uma carreira ou era apenas “uma experiência gira”?Entrei porque fiz um casting e andava à procura de traba-lhos que me permitissem estar na faculdade e não depender só da mesada. Acabou por ser acidental. Depois de participar descobri que era esse o caminho que queria.
A fama incomoda-o?
Não, porque cada um leva o caminho que escolhe. Consigo ter privacidade e continuar a fazer as coisas que fazia. Volta e meia, é verdade que escrevem coisas sobre a nossa vida que só a nós dizem respeito, mas isso faz parte e há que aprender a viver com isso.
Já trabalhou em teatro com a sua mãe, encenadora. Como foi trabalhar em família?
Foi uma experiência única. Tive algum receio que fosse constrangedor, mas não foi porque metemos a questão de parentesco de lado. A minha mãe exigiu de mim como de um colega normal. E ensinou-me e respeitou-me. Não teve condescendências. E só assim foi possível traba-lhar. Foi muito positivo.
Sendo neto e filho de artistas, nunca o alertaram para as dificuldades da carreira?
Avisaram, claro! Por causa da minha avó materna e da minha mãe, e até mesmo através de colegas dela, sempre tive consciência que esta é uma vida muito instável, com imensas dificuldades. Vim aqui parar um pouco por acidente, mas descobri que também tenho uma palavra a dizer. Quero continuar a melhorar.
E o curso de Relações Públicas e Publicidade?Está em stand-by e neste momento não me vejo a exercer. Quero investir na área em que trabalho agora, naquilo que realmente gosto. Gostava de estudar no Brasil com a directora Fátima Toledo.
Na série Equador gostou do registo de época?
Foi o meu trabalho mais curto, mas também aquele que me deu mais prazer, por saber que estava envolvido num dos projectos mais aliciantes nos últimos anos da TV em Portugal, pela oportunidade de contracenar com actores com os quais nunca o tinha feito. A minha personagem tinha características muito próprias e permitiu-me desviar-me um bocadinho daquilo que sou.
Em Meu Amor, o “seu” Valentim vive dividido entre duas mulheres. Na vida real comunga dessa inconstância amorosa?
Não, na vida real não me apaixono com tanta facilidade. Nem arranjo namorada atrás de namorada. Talvez seja um pouco mais racional e demoro mais tempo a apaixonar-me daquela maneira por alguém.