
Sofia Arruda será sempre associada à “Carminho”, a filha do meio da série “Super pai”. Entretanto, o tempo passou e teimavam a olhá-la como uma miúda.
“A minha personalidade começou a entrar em choque”, refere. Sofia já não é uma criança. E para o provar – apenas para esse efeito – aceitou o desafio de ser capa da Maxmen. A estratégia parece ter resultado e a sua promissora carreira está encaminhada. A actriz de 20 anos integra o núcleo principal da nova novela da TVI, “Sentimentos”, que estreia hoje.
Começou muito nova nos meandros da representação…
Sim. Com 11 anos. Acompanhei o meu primo a um “casting” e na altura perguntaram-me se também o queria fazer. Sempre fui muito comunicativa. Era natural em mim. Mas não tinha nenhum fascínio especial pela televisão.
Os pais apoiaram-na?
Sim. No primeiro trabalho que fiz era trapezista num circo. Foi algo violento. Gravámos durante o Verão e a minha mãe acompanhou-me sempre. Se não tivesse gostado, depois daquela experiência, não teria repetido. Foi difícil. Tinha de beijar um rapaz e nem sequer sabia o que isso era.
Depois, veio o “Super pai”.
Houve um dos produtores que transitou para o “Super pai” e telefonou-me para eu participar. Foi um trabalho marcante. Criou-se uma verdadeira dinâmica de família. Ficámos todos amigos.
Como ficou a escola nessa altura?
Tínhamos um ritmo alucinante de filmagens. Tive de mudar de turma, pois todos os dias à tarde, além de sábado, estava a gravar. Baixei um pouco as notas, mas nunca deixei de ser boa aluna.
Há quem considere que os pais se aproveitam do potencial dos filhos.
Cada caso é um caso. É preciso ter cuidado com a transferência de projectos pessoais para as crianças. Já vi miúdos, nos “Morangos”, contrariados e a chorar pois não queriam decorar os textos.
“Morangos com Açúcar” é uma rampa facilitista de lançamento?
As pessoas não têm noção de que a série se tornou uma escola para actores. Há uma equipa que os forma. Se a qualidade desceu, será porque quem lá está, está a aprender. Falta essa explicação da TVI.
Foi difícil descolar-se da personagem Carmo?
Estive muito tempo agarrada a ela. Era mais velha do que eu e acabei por antecipar certas peripécias. A série teve muito impacto e sofri um pouco com a perda do anonimato. Era muito gratificante, mas, às vezes, chegava a estar num café com 20 pessoas a pedirem autógrafos. A minha mãe sempre me tentou proteger. Mas a Sandra Faleiro e o Luís Esparteiro ensinaram-me a gerir esse fenómeno.
Hipotecou parte da adolescência?
Nem tanto. Sempre encarei o ser actriz como actividade extra-curricular. O que mais me custou foi ter passado ao lado do crescimento da minha irmã. Aprendi a estabelecer prioridades. Quando estive sem gravar as notas baixaram.
Como surgiu a oportunidade de entrar nos “Morangos”?
Subi aos palcos pela primeira vez com uma peça de Tchekov. Então fui convidada para os “Morangos”, que comecei aos 15, em simultâneo com o curso profissional de design.
Como olha para as críticas à série?
Antes havia uma lógica maniqueísta. Agora os papéis estão confusos. Os maus passam a ser bons e vice-versa. Talvez porque assim garanta mais audiências.
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