
Há oito anos na televisão, a actriz, de 19, recorda o início tímido nas novelas e o pesadelo que era entrar na escola, onde tinha fama de convencida.
Aos 11 anos, fez um casting para a telenovela ‘Amanhecer’ e foi escolhida. Ser actriz era um desejo que tinha?
Desde os meus cinco anos que sempre desejei ser actriz mas na altura era muito mais complicado chegar a este meio, pois não havia tanta divulgação. Por isso, quando, aos 11 anos, soube que ia haver um casting para uma novela quis logo ir.
Quando disse aos seus pais que queria fazer o casting qual foi a reacção?
Os meus pais lá me deixaram faltar à escola para ir ao casting mas não estavam com esperança nenhuma. Afinal, iam cinco mil pessoas e só ia ficar uma rapariga e um rapaz…
Soube logo que tinha sido escolhida?
Não, na altura pensei que tinha corrido bem mas não saí de lá assim com muita esperança, até porque eu não sabia quanto tempo demorava a selecção. Estava à espera de que me ligassem passadas uma ou duas semanas, por isso quando me ligaram dois meses depois eu já tinha metido na cabeça que não tinha sido a escolhida.
E quando lhe ligaram como foi?
Ligaram-me para casa a dizer que tinha sido escolhida para a nova telenovela do Tozé Martinho e que ia fazer de filha da Fernanda Serrano. Para mim, a Fernanda era um ídolo e eu não estava a acreditar naquilo. Paralisei completamente. Não dizia nada, pensava que estavam a brincar comigo.
Como é que foi, com 11 anos, entrar para o mundo das novelas?
A mim metia-me medo, porque era um mundo que eu não conhecia. Mas passados um a dois meses comecei a ambientar-me muito bem, até que já estava super à vontade. Até porque todos os meus colegas me tratavam muito bem: eu era a menininha, andavam comigo ao colo.
Conseguiu conciliar com a escola?
Por incrível que pareça, as minhas notas subiram, porque eu passei a estudar muito mais. Lembro-me de que era aluna de 3 e 4 e passei a ter 5. Mas faltava muito, de facto, e os meus professores penalizavam-me por isso.
Pelas faltas?
Sempre tive problemas na escola por causa dos meus professores. Eu nunca lhes pedia que me beneficiassem, só que não me dificultassem a vida. Isso não aconteceu: era sempre penalizada, e havia uma picardia entre professor/aluno muito estranha. Mas consegui passar sempre.
E os seus colegas de turma como lidavam com o facto de estar nas novelas?
Quando comecei a trabalhar, coincidiu com a altura em que estava a mudar de casa, portanto estava a deixar colegas meus e a fazer amigos novos, o que não foi muito bom. Porque na escola nova eu era a ‘Filomena’ de ‘Amanhecer’ em vez da Sara. Não tive amigos que acompanhassem essa passagem e pudessem perceber que eu não tinha mudado e continuava a ser a mesma. Eu, para os meus novos colegas, era a miúda das novelas, convencida e que tinha a mania de que era esperta. Sofri um bocadinho e foi mais difícil fazer amigos, porque havia quem se aproximasse por interesse.
Foi, de facto, complicado para si?
Foi, porque havia muitos comentários maldosos a meu respeito e, às vezes, era difícil ir à escola e ver toda a gente olhar-me de lado só porque estava na novela. Mas fui-me habituando, porque era aquilo que queria fazer, e tudo compensava.
E os seus pais, como reagiram quando viram que estava a ter sucesso?
Sempre me apoiaram, mas uma das condições que me impuseram para eu poder realizar este sonho era nunca perder nenhum ano nem baixar as notas. Assim que isso começasse a acontecer, diziam que já não me deixavam ir para as novelas. Aliás, foi esse medo e essa responsabilidade que fizeram com que me aplicasse ainda mais. Daí ter subido as minhas notas. Depois, viram que continuava a ser chamada para outros trabalhos e começaram a perceber que isto ia, realmente, ser a minha vida.
Privou-se, efectivamente, de muita coisa na adolescência?
Não sinto que perdi nada. Penso que nós, às vezes, desperdiçamos muitos momentos por os termos de mais, e eu, todos os que tive, vivi-os intensamente. Agora olho para trás e julgo que não deixei de fazer nada só porque trabalhei. Passei por tudo o que um adolescente tem de passar, só não dei dores de cabeça aos meus pais…

Sente que foi independente muito mais cedo?
Nem por isso, ainda continuo a viver com a minha mãe e até hoje não senti necessidade de sair de casa. Sempre tive liberdade e nunca tive de mentir à minha mãe para poder sair à noite.
Por ter chegado tão nova à televisão, era muito popular entre os rapazes da escola?
Não vou dizer que, se calhar, não houvesse um maior interesse da parte masculina na escola, porque achavam que eu era um alvo difícil de alcançar e, se calhar, tinham mais curiosidade em aproximar-se de mim. Mas não sinto que namorei mais ou menos por isso. Sinto que levei a minha vida normal e que tive os namorados que eu tinha de ter: nem a mais, nem a menos.
Actualmente, tem namorado?
Não, mas esse é um assunto do qual não gosto muito de falar.
O que um homem tem de ter para conquistá-la?
Acima de tudo, sinceridade, porque é uma coisa que eu tenho, e um grande sentido de humor, que eu sou uma pessoa bem-disposta e gosto muito de que me façam rir.
Preferia ter um namorado do mesmo meio profissional?
Por um lado, se calhar, torna-se mais fácil, porque essa pessoa conhece os nossos horários e sabe como é que as coisas funcionam. Por outro, não sei. Eu, até hoje, nunca tive nenhum namorado dentro do meio, mas dos casos que conheço uns dão-se muito bem, e até hoje estão juntos, outros as relações terminaram exactamente porque acaba por haver uma competitividade ridícula entre ambos.

Em ‘Morangos’ fez de uma adolescente rebelde que foi mãe muito nova. Isso despertou o instinto maternal?
Foi engraçado, porque eu vivi a gravidez da minha personagem do início ao fim e, como nós gravávamos muitos dias, eu passava muito mais tempo ‘grávida’ do que não. Havia colegas meus que até diziam que eu estava a interiorizar tanto aquilo que estava com uma espécie de gravidez psicológica, porque eu engordei seis quilos durante a suposta gravidez. Foi uma coincidência feliz, e posso dizer que foi um estágio.
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