Saiu de casa aos 14 anos para estudar Teatro mas, aluna exemplar, nunca se deixou levar pela rebeldia. Determinada, sonha com uma carreira de sucesso e só depois disso em ter filhos.
- Faltam três meses para terminar a telenovela ‘Flor do Mar’. O que gostava de fazer a seguir?
- A seguir, penso que vêm umas férias, não sei é de quanto tempo. É um bocadinho cedo para estar a falar de outros projectos pois ainda falta o desenrolar final da personagem, que é sempre mais dramático…
- E as férias serão onde?
- Em princípio, em Angola e Moçambique. Gostava de lá ir também por causa do meu namorado, o João (Rodrigues). Os pais dele são de África e ele tem muita vontade de conhecer. Queria passar lá um mês, para fazer algum trabalho de voluntariado, e depois tenho muita curiosidade em conhecer os dois lados: a beleza versus a guerra e a destruição. Vai, com certeza, ser uma viagem mágica.
- Ter contrato de exclusividade permite-lhe ir de férias mais descansada?
- Sem dúvida. Agora já posso ir de férias e não vou desempregada. É uma realidade um bocadinho diferente…
- Mas desde que começou, nos ‘Morangos com Açúcar’, nunca esteve muito tempo parada…
- Mas mesmo assim estive 5 meses sem fazer nada, em que ‘morri’ do coração. O primeiro mês foi uma maravilha, pois é o ir de férias e o dormir todos os dias até às 4 da tarde, mas a partir do segundo já começas a pensar na vida e a julgar que não te vão chamar mais. E passam-te coisas pela cabeça como: ‘Vou ter de ir trabalhar para uma loja. Mas que loja?’. Porque é o que eu digo: se me deixarem trabalhar, eu quero fazer isto para o resto da minha vida. Mas é tão difícil quando chegas ao momento de ‘e se eles não querem?’.
- Quando, cinco meses depois, lhe ligaram, como foi?
- Foi o André (Cerqueira) que me ligou e perguntou: ‘Oi, você quer ir trabalhar?’ Então, fui para a ‘Fascínios’, e estava espantada com tudo aquilo, porque o mundo dos ‘Morangos com Açúcar’ é muito diferente do da novela da noite. Foi muito enriquecedor. Quando soube que a Helena Laureano, que é a minha actriz de eleição, ia ser minha mãe, pensei: ‘Não acredito, não há muito mais para acontecer!’ Todos aqueles nossos ídolos, de repente, estão ali ao nosso lado e brincam connosco.
- Depois de ter feito a rebelde ‘Becas’, nos ‘Morangos’, mostrou ao público o seu lado feminino.
- Era muito complicado para mim passar algum tipo de credibilidade com uma crista e um bico enfiado no meio da testa. Mas depois vieram as extensões, e então lá conseguiram ver um bocadinho do meu lado feminino. E é sempre bom esta magia de transformares-te em alguém. Como é óbvio, quando eu tinha crista não ia vestir calças justas e saltos altos, então toda eu fui modificada. E o público, na altura, era sempre: ‘Yo, Bekas, tasse bem. Bora, fazer uns grafitis?’ E eu respondia: ‘Calma, não sou assim tão dread.’ E, de repente, passei para a ‘Fascínios’, e a abordagem já era: ‘Sara, desculpe, pode-me dar um autógrafo?’ Tudo isso é engraçado.
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