O actor fala do seu talento escondido para a música e revela que, um dia, gostava de ter muitas histórias para contar aos filhos. Acredita que o tempo resolverá os conflitos com o irmão, Filipe.
As fãs acham-no um dos mais bem parecidos actores portugueses. Ouve muitos piropos?
Sou muito despistado e quando ando na rua mais ainda. Mas ouço alguns piropos. Não é isso que me põe um sorriso na cara mas fico contente, talvez porque esse tipo de mensagem faz sempre subir o nosso ego. Fico muito mais envergonhado do que as pessoas que mandam esses piropos. Acho que, apesar de já ter feito vários projectos em televisão, ainda não me habituei a esta coisa do mediatismo.
Mas considera-se um homem atraente? Mudava muita coisa em si?
Não me considero um homem bonito, mas antes uma pessoa normal, com bons princípios. De vez em quando cuido-me, trato um bocado de mim. Outras vezes desleixo-me. Com certeza que haveria muita coisa a mudar em mim (risos).
Está livre e desimpedido?
Completamente.
O amor para si é importante?
Muito. É uma das coisas que rege a minha vida. Além disso, sou uma pessoa que se apaixona muito facilmente por pessoas, por momentos, por situações, embora se possam contar pelos dedos de uma mão as pessoas que realmente me conhecem bem e que sabem quem realmente é o Pedro Carvalho. E são essas que às vezes dizem: ‘ tu apaixonas-te por tudo e insistes sempre no lado muito bom das coisas’. Há quem diga que a paixão é isso, só ver as coisas boas nos outros.
Procura uma princesa encantada?
Sei que não existem, mas ainda acredito nos contos de fadas. Ainda por isso trabalho muito em dobragens e, vá-se lá saber porquê, calham-me sempre as personagens dos princípios. Fico sempre a pensar que se são humanos que escrevem aqueles contos, por que é que eles não hão-de ser possíveis na vida real? Mas talvez o meu mal seja esse: acredito demasiado.
As roturas são-lhe sempre muito dolorosas?
Depende também das situações da vida. Ou as pessoas partem, ou acaba uma relação ou as pessoas pura e simplesmente mudam. Sinceramente não sei. Acho que essa é a minha maior fragilidade. Tenho a sensibilidade muito apurada. Os meus pais, aliás, sempre disseram que eu tinha os ‘radares todos no ar’. Por outro lado, isso também me ajuda a percepcionar certas coisas que escapam à maioria das pessoas. Permite-me tirar prazer das pequenas coisas da vida. Sou também um apaixonado por fotografia e, às vezes, dou por mim na rua a ver um enquadramento, uma sombra a reflectir numa parede branca ou qualquer outro pormenor que me apetece capturar e que me emociona muito.
Recentemente falou-se muito em conflitos com o seu irmão gémeo, o também actor Filipe Carvalho. Quer comentar?
Nunca o fiz porque acho que quanto mais se mexe na porcaria mais mal cheira. Para quê fazer comentários? Já foram ditas muitas mentiras, muitas verdades, mas é um assunto que só a nós nos diz respeito…
Há reconciliação à vista no futuro?
O futuro nunca se sabe. A vida dá muitas voltas e aquilo que nos reserva é sempre uma incógnita.
Teve formação numa escola de actores, passou pelo cinema, fez duas peças de teatro e depois veio a televisão com ‘O Diário de Sofia’, ‘Morangos com Açúcar’, ‘A Outra’ e ‘Flor do Mar’. Tem vindo a crescer de desafio em desafio.
Um actor tem de ser camaleónico, pois só assim se justifica. Se olharmos para grandes nomes da representação a nível mundial, como Sean Penn ou Meryl Streep, constatamos que são nomes muito coesos a esse nível. Essa transfiguração é o grande trabalho do actor e a sua escola também. Tanto o ‘Ricardo’, que era aquele vilão insuportável – que eu fazia mesmo questão que fosse assim –, como a minha personagem do ‘Kiko’, em ‘A Outra’, que era muito sensível, ou agora o ‘Joel’ de ‘A Flor do Mar’, que tem uma faceta mais cómica. São todos personagens de composição diferentes, mas todas com uma grande força. O primeiro era a rebeldia em pessoa, o segundo o drama e o terceiro a comédia. O que é formidável para mim, porque gosto de me desafiar a mim próprio, de arriscar e experimentar, mesmo na vida real. Sinto que tenho evoluído com desafios que são, de facto, cada vez maiores, mas que também têm exigido de mim muito trabalho de casa.
Usa muitos truques para construir as suas personagens?
Na escola, íamos para a rua observar e perseguir pessoas para criar personagens a partir daí. Essa foi a base da minha aprendizagem. No caso do ‘Joel’, por exemplo, uso uma postura de ombros mais encolhida, que impulsiona depois a maneira de andar trapalhona do boneco. É uma personagem envergonhada, tímida, que me levou a observar muitos ratos de biblioteca, a ver vários filmes do Almodóvar.
Mas o ‘Ricardo’ dos ‘Morangos’ era exactamente o oposto, uma mistura de ‘Joker’ do ‘Batman’ com o lado muito sedutor do James Dean. Era um personagem que vivia muito da adrenalina e isso levou-me a pesquisar muito, a experimentar para poder reproduzir esse impulso.
Já o ‘Kiko, que se debatia com problemas muito reais como o abuso de drogas e álcool, obrigava-me a pesquisar todos os dias. Mas há muita coisa que surge em cena, pelo que sinto e oiço.
Disse uma vez que, por causa de ‘Kiko’, chegou a ser abordado na rua. Emociona-se com essas abordagens?
Sim e com uma muito em particular, que aconteceu precisamente na altura em que fazia o ‘Kiko’. Houve uma senhora, cujo filho tinha um problema de dependência de drogas e que acabou por morrer, que me disse que via a novela e se identificava muito com o que fazia. Isso tocou-me muito e foi daqueles momentos que me deram muita força para continuar.
Com qual se identificou mais?
O que me dá gozo é fazer personagens muito diferentes, mas o ‘Kiko’ foi talvez o mais parecido comigo, por toda a sua faceta emocional. Talvez porque eu também me dou muito às pessoas e, aquelas de quem gosto, guardo-as num lugar muito especial do meu coração. Se calhar por isso foi a novela que mais gostei de fazer.
Tem a emoção à flor da pele? Quais são as coisas que o tocam mais profundamente?
É algo que é diferente enquanto artista e enquanto pessoa. Desenho muito, tirei o curso de arquitectura e sou capaz de ir a Paris só para ver uma exposição. Lembro-me que a minha mãe me levou muito pequeno ao Museu do Louvre e eu fiquei horas a olhar para o quadro da ‘Mona Lisa’, pois, para mim, aquilo era uma descoberta imensa. Além da arte, também me emociona muito aquele lado muito verdadeiro das pessoas. Ligo-me muito às pessoas de quem gosto, como uma lapa. Às vezes, quando é preciso desligar, sofro.
Tem uma série de talentos escondidos: a fotografia, o desenho, a representação. Há mais algum de que ainda não temos conhecimento?
Sempre fui assim. Já quando vim para Lisboa estudar, os meus pais perguntavam porque é que eu não podia escolher um só curso. Ingressei em arquitectura e ao mesmo tempo frequentava o curso de formação de actores à noite. Nem sei como consegui acabar os dois. Não consigo aceitar o facto de só fazer uma coisa. A representação é a minha primeira e grande paixão. Tudo o resto é um complemento importante daquilo que sou como pessoa. Mas há um talento que poucos conhecem: a música.
A música em que formato?
A parte instrumental. Sei tocar guitarra clássica, tive aulas de canto e, um dia, quiçá, ainda exploro melhor essas áreas, como intérprete.
Quais são as suas referências musicais?
Ui! Oiço tanta coisa! Maria Rita, Jay-Jay Johanson, Rodrigo Leão, Madonna, coisas muito diferentes umas das outras.
Em que pé está a arquitectura?
Estou agora a tirar o mestrado. Sinto muito a falta dessa parte também. Passo uma boa parte do meu tempo livre a ir a exposições, a ler e a aprender sobre arte. Aliás, acho que vou passar o resto da minha vida em aprendizagem. Preciso disso como do ar que respiro, para me sentir alimentado e feliz.
Então a arquitectura nunca foi um plano B?
Ser actor sempre foi o plano A. A arquitectura sempre foi uma área que gostei muito. Talvez por ser a arte que abrange as outras todas, a escultura, a pintura, o desenho… Nunca me vi como o ‘senhor arquitecto’, mas, se calhar, e ainda como actor, gostava um dia de fazer uma cenografia, que era uma coisa que me permitia aplicar a experiência da representação mas também os conhecimentos que adquiri com o curso de arquitectura.
Qual é o maior ‘mamarracho’ arquitectónico do País, na sua opinião?
Talvez a forma como foi feito o planeamento urbanístico na Expo ou melhor, a falta dele. Foi uma mostra de pequenos génios arquitectónicos mas que depois acabou por funcionar como uma cidade de legos muito diferentes uns dos outros. Até poderia ter funcionado se houvesse o tal planeamento de base.
Se projectasse uma obra, o que seria?
Não sou bom com regras. Gostava de projectar um museu, que só por si já é uma peça de arte.
As regras são para serem quebradas?
Às vezes! Sou muito teimoso e há quem diga que esse é o meu maior defeito. Levo a minha até à última e isso, às vezes, faz com que desrespeite várias regras ou, pelo menos, que tente contorná-las um bocadinho. Se falarmos de política ou da Igreja, encontro muitas regras com as quais não estou de acordo. Mas, em contrapartida, respeito muito os outros, da mesma forma que gosto que me respeitem a mim.
Como se vê daqui a 20 anos?
Espero ser um actor respeitado no meu meio e ter muitas histórias para contar aos meus filhos, porque isso significa que a vida foi preenchida e não um simples passar do tempo.
O MELHOR ACTOR DA SUA GERAÇÃO E LINDO
O MELHOR DE TODOS OS ACTORES, JÁ MERECIA UM PRÉMIO
O MELHOR ACTOR….LINDOOOOOOOOOOO
QUERO VÊ-LO COMO PROTAGONISTA
E A GANHAR UM PRÉMIO NA PRÓXIMA GALA DA TVI