Aos 24 anos, Inês Simões fala abertamente sobre a separação do actor Luís Lourenço e garante que está a atravessar uma boa fase da vida.
Está em digressão com a peça ‘O Meu Menino’ e durante a semana trabalha num banco. Tem dupla personalidade? É quase como uma vida dupla. Tenho posturas completamente diferentes nos dois sítios. Ao fim-de-semana uso calças largas e tenho os cabelos desgrenhados, quando estou no trabalho sou outra. Eu gosto muito das duas áreas e esforço-me bastante para as conciliar, o que não é fácil. Gostava muito de voltar à televisão, não tanto à área das novelas mas à apresentação, pois acho que sou uma comunicadora nata. Mas é claro que também invisto na outra área, onde estou a tirar um mestrado em Psicologia Organizacional.
As pessoas reconhecem-na no banco?
É estranho, porque às vezes tenho a sensação de que eles pensam que tenho uma irmã gémea. Normalmente, as pessoas ficam confusas, olham algum tempo para mim e depois dizem que gostaram do meu trabalho. Ao início era um filme mas agora já me habituei e as pessoas também.
Também já estava habituada à fama quando entrou para os ‘Morangos com Açúcar’…
Mais ou menos, ao início fazia-me um bocado de impressão quando ia ao cinema e jantar fora e as pessoas ficavam demasiado tempo a olhar para mim. Como tudo na vida, foi uma questão de hábito e passei a encarar isto de uma forma natural.
Os ‘Morangos’ mudaram a sua vida até a nível pessoal, pois foi lá que conheceu o Luís Lourenço (de quem se divorciou há pouco tempo)…
Sim, em relação a isso não há dúvidas, os ‘Morangos’ mudaram a minha vida. Foi um ponto de viragem em todos os aspectos. A partir daí começaram a surgir oportunidades para experimentar coisas novas, como o teatro. Representar é uma paixão muito grande.
Pensa que casou demasiado cedo?
Não, o que me fizer feliz num determinado momento da minha vida é o que eu vou fazer. Nós apaixonámo-nos, começámos a namorar, fomos viver juntos e decidimos casar. Foi um passo que demos, como tantos outros casais, e acho que não foi nada precipitado. Simplesmente, ao fim deste tempo chegámos à conclusão de que tínhamos incompatibilidades muito complicadas de ultrapassar e decidimos separar-nos. Ficámos amigos e falamos muitas vezes por mail ou mensagens, não há qualquer rancor.
As incompatibilidades foram a verdadeira razão da separação?
As coisas acabaram por bem, não houve outras pessoas envolvidas nem grandes zangas, como já foi dito. Foi por isso que decidi contar que nos tínhamos separado. Não gosto que se criem boatos onde eles não existem, porque uma pessoa, quando está a sofrer, tem de estar resguardada e não a ver capas de revistas falsas a espicaçarem. Por isso, decidi explicar o que se passava e só não entro em grandes pormenores porque não os há. Simplesmente, chegámos à conclusão de que éramos diferentes e que não conseguíamos lidar com essas diferenças. Só prefiro não falar sobre isso porque são coisas nossas e não vou estar a revelar aspectos da nossa vida privada.
Ficou magoada com os comentários de que não aguentaram um ano casados?
Já estava à espera. É tão óbvio e previsível que nem imaginava que dissessem outra coisa. Mas não me magoa, ficava mais triste se não estivesse bem resolvida ou ciente do que estava a fazer. Felizmente, estou, e sinto-me muito feliz por mantermos uma boa relação.
Quando casou pensava que era para toda a vida?
Claro que sim, caso contrário não tinha casado. Julgo que toda a gente pensa que é para sempre.
Quando tomaram a decisão de se separarem, não se preocuparam com aquilo que as pessoas podiam pensar?
Não, quando se toma uma decisão deste tipo acho que é fundamental que uma pessoa se isole do mundo e de todas as pessoas. Primeiro estava eu e o Luís, tudo o resto vem por acréscimo. Acho que há solução para tudo e não se pode dramatizar demasiado.
Há quem diga que a relação terminou devido a traições. Como lida com esses rumores?
É uma ideia pré-concebida. Sempre que uma pessoa fala primeiro de separação do que a outra é porque a está a trair e já tem alguém. As coisas não se processam desta maneira. As pessoas não têm, obrigatoriamente, de saltar de uma relação para outra. No nosso caso, garanto que não teve nada a ver com esse aspecto.
Como reagiu a sua família?
Desde que eu esteja bem, eles estão do meu lado. Os meus pais sempre me apoiaram em tudo o que fiz, dizem que sou adulta e que, por isso, devo tomar as decisões que eu acho que me vão fazer mais feliz. Claro que se cair e as coisas não correrem bem, são eles os primeiros a ajudar-me. Mas acho que essa é a verdadeira essência dos pais: levantarem-te quando estás mal. É nestas alturas que se vê quem realmente gosta de nós, e os meus pais são, sem dúvida, as pessoas que mais me apoiam.
É muito ligada à família?
Sim, principalmente aos meus pais. Sou filha única e tenho a família quase toda em Viana do Castelo. Mas, além dos meus pais, tenho um grande grupo de amigos em Lisboa, que são como irmãos. Um exemplo disso é o F.F., que conheci nos ‘Morangos com Açúcar’. É o meu melhor amigo e a pessoa em quem mais me apoio quando estou em baixo. Temos uma relação absolutamente fantástica.
Os seus pais preferem esta nova vida, longe do mediatismo?
Os meus pais gostam de me ver feliz, por isso dizem-me que faça apenas aquilo que quero e que gosto. O meu pai prefere o meu lado mais intelectual e gostava que eu invistisse mais nele. Com a minha mãe é diferente: como gosta de ver telenovelas e revistas, acha engraçada essa parte da minha carreira. Eles acabam por me ajudar nas duas áreas, por isso é tudo bem dividido.
Começou na moda muito nova. Os seus pais aceitaram bem?
Mais ou menos. Comecei a trabalhar como modelo aos 15 anos, mas eles sempre me incentivaram para me dedicar aos estudos. Fazia apenas alguns trabalhos pontuais e a coisa só mudou de figura quando, aos 20 anos, decidi participar com uma amiga no concurso para Miss Portugal. Fiquei em segundo lugar e foi aí que começaram a surgir mais oportunidades de trabalho, nomeadamente na televisão, onde apresentei um programa sobre o Oceanário, na RTP.
Depois foi para os ‘Morangos’, onde tinha fama de ser a tímida do grupo…
Eu não acho que seja uma pessoa tímida, tenho é um mecanismo de defesa quando não conheço as pessoas. E também acho que no mundo da representação e da moda não basta ser, tem de se parecer. Às vezes custa-me não poder ser como sou.
É uma mulher muito determinada…
Tento ser uma mulher bem resolvida. Quando alguma coisa me perturba, procuro resolver o problema o mais rapidamente possível e pela raiz. Penso que a minha geração é bastante responsável e amadureceu muito depressa. Eu considero-me muito responsável, tenho os meus objectivos bem definidos e vou atrás deles até ao fim. Claro que depois é preciso estarmos preparados para o melhor e para o pior. Quando uma coisa corre mal, às vezes parece que tudo vai pelo mesmo caminho e é preciso estarmos bem resolvidos para ultrapassar as fases menos boas da nossa vida.
Está numa fase de bem com a vida?
Estou muito bem mesmo. Sinto-me bastante realizada profissionalmente. O meu trabalho preenche-me a 300 por cento, pois consigo conciliar duas áreas diferentes da minha formação. Depois tenho um grupo de amigos que me faz muito feliz, diverte-me e faz-me esquecer do trabalho, pois não posso viver só para isso. Normalmente, penso assim: quando há um problema as coisas resolvem-se, levando mais ou menos tempo. Há só que procurar as respostas dentro de nós para que isso aconteça.
REFLEXO
O que vê quando se olha ao espelho?
Vejo uma mulher trabalhadora e empreendedora. Estou numa fase de menina/mulher, de transição.
Gosta do que vê?
Uns dias mais que outros, mas de um modo geral gosto. A nível de personalidade, esforço-me para isso, pois acho que a experiência de vida influencia a imagem. Depois, só se pode usufruir do físico até certa idade…
Alguma vez lhe apeteceu partir o espelho?
Não sou de partir nada. Quando as coisas não estão bem, penso que o problema tem de estar em mim e que tenho de o resolver.
Quem gostaria de ver reflectido no espelho?
A Catarina Furtado. Fisicamente, acho-a bonita, mas identifico-me mais com a sua maneira de estar na vida. Sou fã e fico aflita quando estou perto dela. Conhecemo-nos porque vamos ao mesmo cabeleireiro.
Pessoa de referência?
A minha mãe. Ela passou por um grave problema de saúde e, por mais que se esteja preparada, são os nossos pais e dói muito. Ela é uma grande mulher porque teve força para ultrapassar essa fase.
Momento marcante na vida?
Quando percebi que a minha vida podia passar pela moda, ao ficar em segundo lugar na Miss Portugal. Quando ouvi o meu nome percebi que a minha vida ia mudar.
Qualidade e defeito?
Qualidade é ser bastante generosa. O defeito é querer o mundo todo para ontem. Tenho uma sede enorme de querer aprender tudo à minha volta. Sou muito exigente.
Inês se eu já a admiráva então agora depois de lêr este artigo ainda mais a admiro como pessoa, realmente a Inês é uma super mulher e super lutadora. Continue assim. Bjs Paula, Patricia e Carolina Domingos